sábado, 19 de setembro de 2015

   


   
   


Pé de cabra - capítulo XI - A bandida, o policial e mais de mil deles



    A voz decidida da mulher ecoou no âmago de cada um daqueles homens.
    O grupo de ex-presidiários sobreviventes, tinha diante de si um novo objetivo, uma vez mais suas vidas seriam guiadas por um sentimento podre, uma vez mais sua direção seria norteada pela vingança.
    A enorme Bia tonelada, caminhava pra fora da cobertura do posto, sentindo no ar toda a excitação animalesca que suas palavras causavam naqueles homens, que não tinham o costume de respeitar limites.
    O policial militar, que avisou sobre as transmissões de rádio da noite anterior, foi atrás dela.
-Não vamos desperdiçar pessoal e munição pra você brincar de gato e rato com um bando de moleques, seu irmão deu motivos de sobra pra ter esse fim.
-O que você tá falando aí verme?! - gritou a mulher voltando-se pro policial, que a encarava com assustadora frieza.
-Você ouviu o que eu disse, não vamos causar mais problemas a esse pessoal, o safado estuprador do seu irmão, já deve ter gerado traumas o suficiente neles. - sentenciou o policial que trazia consigo um imponente facão e descansava a mão direita na arma guardada em seu coldre.
    O policial em questão era o cabo Élcio, e os policiais militares que ali se encontravam estavam sob seu comando, desde a época em que haviam perdido contato com o comando do estado eles permanceram juntos, tentando encontrar e auxiliar outros grupos de sobreviventes.
    Élcio era durão.
    Mestre de Kung Fu e exímio atirador.
    Não tinha problema algum em lidar com os mortos, sua liderança firme e ponderada fez com que atravessassem todo aquele período sombrio sem nenhuma baixa.
    Até ali haviam encontrado poucos sobreviventes, mas encontraram diversas provas de que a humanidade atravessava uma de suas piores crises morais. Pessoas saqueavam, roubavam, matavam e estupravam, tão ameaçadores quanto os mortos vivos, eram os sobreviventes, ele sabia disso e sabia que teria problemas com aquela mulher desde o momento em que a viu pela primeira vez.
    Fabiana ou Bia tonelada como era conhecida no crime, cumpria pena por tráfico de drogas e homicídio.
    Não era nenhuma perita na cozinha, mas ficou muito conhecida por sua predileção por esquentar no microondas. Muitas de suas vítimas perderam a vida dessa maneira barbara, basicamente o infeliz fica preso no meio de uma pilha de pneus, sobre ele se despeja uma quantidade farta de gasolina, ou qualquer liquido inflamável que se tenha a mão.
    E uma fogueira é acesa.
    E uma vida se apaga.
    Muitas vidas se apagaram pra que aquela mulher conquistasse entre os homens do crime.
    O nome Bia tonelada era temido na zona oeste de São Paulo, o próprio Élcio ja tinha ouvido falar dela, ele nunca imaginou que um dia seus caminhos iriam se encontrar, ainda mais dentro daquele contexto tão bizarro.
    Quando os mortos voltaram a caminhar e a atacar os vivos, os esforços do governo brasileiro mostraram-se ineficazes depois de poucas semanas, em poucos meses o numero das criaturas já havia ultrapassado o dos humanos.
    Com o descontrole dos superiores a maioria dos policiais abandonou seus postos e tratou de lutar por sim mesmo e por aqueles que realmente lhes importavam. Diversos presídios foram abandonados, fugas em massa ocorreram aos montes por toda a extensão do território nacional.
    Não bastasse apenas a praga crescente e inacabável dos mortos vivos, a sociedade também havia sido bombardeada por dezenas de milhares de condenados que ganhavam as ruas e que não tinham mais os limites da lei para conter os seus atos, alguns deles perceberam que teria sido melhor permanecer dentro dos presídios.
    Outros perceberam que aquela terra de ninguém, outrora conhecida como Brasil, havia se transformado num mundo de novas possibilidades, onde os sonhos de dominação tornar-se-iam realidade.
    Bia tonelada, havia encontrado naquele novo mundo a chance de por em pratica seus desejos psicóticos, de ver a sociedade que um dia a marginalizou, em virtude da opção sexual e da pobreza, sangrar e esvair-se. Ela havia liderado um grupo de insurgentes durante a ultima rebelião do presídio feminino em que se encontrava.
    A maioria dos agentes penitenciários abandonara seus postos, ela e suas comparsas aproveitaram a chance pra acertas as contas com os desafetos.
    Alguns empalamentos com vassoura a golpes de marreta, pescoços cortados e sangue muito sangue depois a trouxeram até aquele momento.
    Ja na rua passou a se juntar a membros de outras facções, deixando no passado velhas rivalidades em nome de um bem maior:
    A sobrevivência.
    No inicio somente a sobrevivência.
    Com o passar do tempo a sobrevivência do mais forte.
    Autoritária, porém astuta, Bia sabia lidar com a bandidagem, sabia lidar com os apetites dos homens do crime. O dinheiro já não tinha valor algum e o mundo havia se transformado num grande self service, ela os ajudaria a se servirem, contanto que sua liderança seguissem sem questionamentos.
    Mas Élcio questionava.
    A junção de suas forças acontecera há pouco tempo, Élcio e os soldados que o seguiam haviam ajudado alguns dos seus homens a escaparem de uma horda que os encurralou enquanto buscavam por suprimentos, desde então os grupos haviam se juntado, mais pelo desejo de unirem forças do que por qualquer possibilidade de simpatia mútua.
    Não demorou muito pra que ambos os lados percebessem que aquela aliança não iria longe.
    A mulher se aproximou do policial, com o cabo da marreta sobre o ombro, seu bando juntou-se ao seu redor, os policiais que acompanhavam o cabo Élcio se juntaram a ele, eram dez no total contando com o próprio cabo da PM, mestre de Kung Fu.
    Os policiais empunhavam suas armas de fogo, portavam pistolas 9mm e metralhadoras .40.
    O clima tenso tomou conta do posto abandonado. O Som de gemidos e dos passos arrastados foi percebido por um dos policiais.
-Tem mais daquelas coisas chegando aí pessoal! - falou o homem fardado.
    Subindo a rua vinha uma horda de encontro ao grupo, ao menos quarenta mortos vivos, marchavam como o exército da morte, com o único intuito de satisfazer a interminável fome que nunca os abandonava. De dentro da mata que ficava do outro lado da rua, mais das criaturas surgiam.
    Os tiros os atraíram.
    Os mortos seguiam todo e qualquer som que chamasse suas atenções, gritos, explosões, tiros, qualquer coisa que pudesse denunciar a localização da presa.
    Eram caçadores.
    Sem inteligência, sem muitas habilidades e sem nenhuma estratégia.
    Guiados unicamente por um instinto animalesco que os levava a querer saciar sua fome infindavel, juntavam-se aos montes e é aí que morava o perigo.
    A quantidade.
    Os homens sobre o caminhão perceberam estarrecidos que pouco depois da horda que avistaram inicialmente, a cerca de cem metros, vinha uma outra horda ainda maior.
    O cheiro podre dos corpos se decompondo, encheu as narinas daqueles sobreviventes diante do posto de gasolina abandonado.
    Um dos policiais subiu no teto de uma viatura.
    O homem negro e forte, de movimentos ágeis e decididos, atendia por Erisson. Erisson observou com o auxílio de um binóculo, ficou em silêncio, voltou-se para os demais.
-Quantos? - questionou o cabo Élcio.
-Quase mil. - respondeu o soldado de pele cor de ébano, num tom que beirava o tom de profissionalismo de quando observavam multidões na parada gay ou na marcha pra Jesus, não havia temor em sua fala, só havia a constatação de que estavam diante de um perigo enorme e que tinha de fazer algo o quanto antes.
-Acho que nossa parceria acaba aqui. - falou Élcio voltando-se pra Bia.
    A mulher olhou de volta pro policial, calculando as possibilidades que suas decisões lhe ofereciam naquele momento.
    Ela fez silêncio, e com o olhar mandou seus homens voltarem aos veículos, sem questionamentos aqueles homens do crime correram na direção dos caminhões, como meninos obedientes ao ouvirem a voz de uma mãe severa.
    Mais que isso, aquele grupo de páreas seguia aquela liderança, pois sabiam que ela os fortalecia, como tinha feito até agora.
-É melhor a gente não se trombar de novo verme.
    Élcio olhou a mulher com aquela frieza e calma que eram sua marca registrada.
-A recíproca é verdadeira.
    Os policiais entraram nas viaturas e seguiram na direção de Santana de Parnaíba.
    O mesmo homem que havia encontrado a mochila cor de rosa sentou-se ao lado de Bia na cabine do caminhão que segue na frente.
-E aí Bia? Vamo deixa os verme saí assim?
-Relaxa, a caçada fica mais interessante quando a presa é pega de surpresa. - respondeu a mulher que deu partida no caminhão e saiu com um sorriso diabólico nos lábios, sorriso que assustou até mesmo o seu comparsa.

Continua...

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

domingo, 6 de setembro de 2015


Pé de cabra - Capítulo X - Refúgio

    A Harley Davidson Night Rod Special subiu na frente.
    Eles passaram por uma enorme cruz de concreto que ficava a esquerda do caminho, estavam no morro do Capuava em Pirapóra do Bom Jesus, por onde a pequena caravana de sobreviventes transitava, a direita havia um caminho que se estreitava ao redor de uma outra elevação, eles seguiram por um morro numa estrada que ficava cada vez mais íngreme, minutos depois chegaram ao topo da montanha. Numa região plana e pavimentada, onde a certa distância podiam ver uma casa de alvenaria branca, onde se reuniam anteriormente os praticantes de voo livre que a usavam como base.
    A ruiva parou com a Harley, a alguns metros da casa, ela desceu e sinalizou pra que estacionassem.
    Os veículos estacionaram lado a lado, e os garotos desceram um tanto apreensivos, observando atentamente tudo ao redor.
    Estava escuro.
    Aqueles que tinham lanternas as acenderam.
    Mayara aproximou-se da Pé de cabra e a abraçou, as duas garotas tinham a mesma altura, a ruiva foi receptiva e abraçou de volta carinhosamente.
-Muito obrigada! Você salvou a gente! - disse Mayara enquanto se afastava do corpo da bela ruiva, pra olha-la nos olhos. -Nem sei o que teria acontecido se você não tivesse chegado. - disse a unica garota do bando em tom de gratidão.
-Relaxa, seus amigos teriam morrido por você se fosse preciso, eu só dei uns tiros nos lugares certos. - sorriu a garota de longos cabelos cacheados e dentição perfeita.
    Os garotos se aproximavam e Tony estendeu as mãos pra ruiva, que com um sorriso, estendeu a mão direita a ele que beijou-a carinhosamente.
-Que Deus a abençoe e a seus tiros certeiros, se não fosse por eles, nós estaríamos perdidos. falou o garoto de óculos em tom de respeito, quase beirando o carinho e devoção por algo sagrado.
-Orra, nem me fale! - falou Lock se aproximando. Descobrir que o Pé de cabra existe e ser salvo por ele... quer dizer por ela não tem preço.
-Pé de cabra? - questionou a ruiva. - Como assim Pé de cabra?
-Nós passamos por um grupo de sobreviventes lá de Barueri, e eles contaram como foram salvos por uma horda de zumbis, por alguém que usava um pé de cabra vermelho. - explicou Tony.
    A ruiva sorriu enigmática.
-E só por isso acham que eu sou o tal Pé de cabra?
    O bando ficou em silêncio, olhando a ruiva que os olhava de volta.
-Até que agora, com você falando desse jeito, fica bem menos óbvio pra mim. - respondeu Mayara.
-Então você não é a Pé de cabra? - disparou Lock.
    A ruiva sorriu.
-Meu nome é Maisa até onde sei, essa alcunha admito que não conhecia. - sorriu a ruiva.
-Então foi você mesma que salvou o grupo de Barueri? - inquiriu Daniel, curioso com aquilo tudo.
    A ruiva retirou a mochila que estava em sua motocicleta, olhou os garotos que ainda esperavam por um esclarecimento.
-Vamos entrar logo criançada. Aqui fora tá frio e pelo jeito logo começa a chover de novo.
    Lock fez menção de insistir no assunto, porém Tony o segurou pelo braço e meneou a cabeça negativamente.
-Deixa quieto mano, se ela quiser falar ela fala.
    Maisa ouviu o comentário de Tony, e caminhou na direção da casinha branca.
-Vamos entrar, a noite foi bem agitada pra vocês, vou preparar algo pra comerem e acomoda-los.
-Putz, não precisa falar duas vezes! - disse Lock pegando as bolsas enquanto os outros faziam o mesmo.
-Bora então. - concordou Tony. -Daniel, Lucas e Mayara tragam as mochilas e tudo o que acharem dentro das viaturas, Lock e eu faremos o mesmo. - completou Tony instruindo os demais.
-Pódexa mamãe! - retrucou Daniel arrancando sorrisos dos amigos.
    Maisa sorriu observando a interação entre eles.
-Antigamente isso aqui era usado por quem fazia parapente né? - questionou Tony voltando-se pra ruiva.
-Era sim, a altura e a distância da cidade ajudam muito pra esse ser um bom lugar pra ficar, mas existe um outro detalhe que faz toda a diferença. - respondeu ela.
    Os garotos olharam enquanto a viam distanciar-se.
-Vocês vão descobrir isso agora mesmo. - falou Maisa, aproximando-se da entrada do local.
    Era uma porta de ferro, com um portão de ferro cobrindo-a, havia uma corrente presa por um cadeado grande, daqueles que possuem combinação pra serem abertos.
    Maisa abriu o cadeado e em seguida o portão e a porta e fez sinal pra que eles entrassem. Mayara passou primeiro, seguida de perto pelos garotos que traziam consigo as mochilas e as armas que haviam conseguido com seus finados agressores.
   Com as luzes das lanternas perceberam que aquele cômodo estava completamente vazio.
    Enquanto Maisa trancava a porta e o portão eles observavam ao redor, estranhando o fato de não haver nada por ali.
    Após trancar tudo, Maisa passou por eles e iluminando com a lanterna foi pra um outro canto do cômodo, lá havia um alçapão que ela puxou pra cima, segurando sozinha, com uma das mãos, uma corrente de pesados elos prateados, com o esforço da garota, a pequena porta em forma de círculo se abriu e deixou a vista uma escada vertical dentro de um estreito túnel circular por onde só passaria uma pessoa por vez.
-Pessoal todos devem passar por aqui, depois de passarem um sensor vai travar essa porta automaticamente e ela só será aberta por dentro. - explicou Maisa enquanto enquanto apontava a lanterna na direção do buraco, que podia muito bem passar por toca do coelho que os levaria ao país das maravilhas.
-Nossa uma passagem secreta! - gritou Lock falhando em sua missão de conter o entusiasmo que tomava conta dele naquele momento.
-Agora a porra ficô séria! - completou Daniel arrancando sorrisos dos demais.
-Pois é, essa é uma das muitas coisas secretas que vocês vão descobrir hoje.
    Ao dizer isso, a ruiva desceu primeiro com muita agilidade, a garota não pisava os degraus, ao invés disso deslizou segurando nas laterais da escada, ela chegou rapidamente ao fim do percurso, de onde acendeu uma luz que iluminou o túnel da escada. Todos desceram empolgados com aquele cenário inesperado que se descortinava diante deles.
    A escada terminava num pequeno cômodo que tinha uma pesada porta de metal, a ruiva a empurrou e logo estavam diante de um longo corredor iluminado por lampadas.
-Achei que nunca mais veria uma lampada acesa. - disse Tony, não direcionando o comentário a alguém específico, mas feliz por ter certo controle sobre a escuridão novamente.
-Aqui vocês terão muitas coisas que lá fora ja são raridade, mais adiante tem uns quartos com camas. - disse Maisa apontando a frente e dando passagem aos garotos que se adiantaram e foram aproveitar o conforto que há muito deixaram de ter, ficando as garotas uma ao lado da outra.
-Cansada? - perguntou a ruiva.
-Muito, nem acredito que vou dormir numa cama de verdade hoje. Já fazia tempo que eu não tinha essa sensação.
-Que sensação? - que sensação falou Maisa segurando-a pelo braço e conduzindo-a de braços dados até uma pequena cozinha que ficava ao lado do quarto onde os garotos estavam.
    Era um lugar aconchegante com uma mesa grande, ao redor da mesa seis cadeiras, uma geladeira antiga vermelha de contornos arredondados, um fogão de quatro bocas e um armário branco em volta da geladeira.
-Senta aí. - disse Maisa apontando pra uma cadeira. -Vou cozinhar pra vocês, hoje vocês vão experimentar a especialidade da casa. - disse ela abrindo o armario e retirando um pacote de Canjão. - Essa aqui é pra quando estamos com pouco tempo. - falou ela sorrindo enquanto enchia uma panela e colocava sobre o fogão.
    Mayara olhava aquilo tudo maravilhada, o som da água caindo da torneira, das panelas sendo escolhidas no armário, do fósforo riscado e do fogão aceso, imagens e sons que ela sequer podia imaginar que tornaria a presenciar, coisas que outrora eram corriqueiras, naquele momento e contexto pareciam tesouros de inestimável valor, relíquias de outros tempos, quase perdidas na memória.
    A garota de cabelo channel suspirou.
-Esse canjão vai cair muito bem, passamos tanto frio nesses últimos dias.
-Eu imagino, aqui tem chuveiros com água quente, avisa os meninos, vocês podem tomar banho, tem umas roupas nos quartos, roupas que eles também podem usar, quando voltarem a comida estará pronta.
-Nem sei como agradecer. - disse Mayara um tanto emocionada com aquela reviravolta em suas vidas.
    A ruiva voltou-se pra ela, enquanto mexia o conteúdo do caldeirão com uma colher de pau.
-Relaxa, é muito ruim passar por tudo isso sem ter com quem conversar.
 
    Após o banho todos se reuniram na cozinha, atraídos pelo cheiro convidativo do Canjão e de pães que acabavam de sair do forno
    Todos estavam com agasalhos de moletom pretos, que haviam retirado dos guarda roupas nos quartos.
-Eu já tinha até esquecido a sensação de usar roupas limpas. - falou Tony, feliz por ter trocado as roupas, como há muito não fazia.
-Tava precisando mano, eu já tava todo assado. - falou Lucas sorrindo.
-Sem palavras dona Pé de cabra. - falou Lock, sentando a mesa e arrancando um sorriso da ruiva de cabelos cacheados.
    Um caldeirão cheio de canja foi posto sobre a mesa pela ruiva de ombros fortes e femininos.
    O cheiro agradável e convidativo aguçou os sentidos dos garotos, que por muito tempo tiveram de se contentar com o que encontravam pelo caminho e nem sempre o destino havia sido generoso como naquele momento.
    A ruiva sentou-se a cabeceira da mesa e com um sorriso nos lábios olhou-os comerem.
-Aproveitem crianças, hoje é por minha conta.

Continua...