sexta-feira, 26 de junho de 2015

Pé de cabra Capitulo III

Quatro tiros, um machadinho e... um pé de cabra?


    Nesse momento o homem parou, ergueu a cabeça enquanto segurava a garota com os seus braços fortes, voltou-se aos companheiros e gargalhou, convidando-os a gargalharem em desprezo ao sofrimento dela.
   O som das risadas encheu o ambiente de um terror inexplicavelmente palpável.
   A dor daqueles garotos por estarem incapazes diante daquilo tudo era imensa.
   O choro da garota era o único som que ao fundo podia ser ouvido até que o som de vidro se quebrando encheu o ambiente e foi seguido rapidamente pelo som do lampião caindo no chão, apagando-se em seguida.
   A gargalhada do agressor cessou e Mayara sentiu que seus braços não mais a pressionavam e arrastou-se pra longe dele indo em direção aos amigos.
   Um feixe de luz vermelha adentrou o ambiente e parou como um circulo na testa de um dos homens que olhava pra fora, em seguida um estrondo acompanhado de uma rajada de miolos que se impregnaram na parede. Outros dois dos invasores tiveram o mesmo fim, enquanto o ultimo tentou passar correndo pela porta, mas foi interceptado por Lucas que cravou o machado em sua testa, jogando-o violentamente contra a parede e golpeando sua cabeça com tanta violência que ela se partiu espalhando massa encefálica por toda a entrada do posto, quando o corpo já sem vida do homem tocou o chão.
    Lucas entrou correndo e viu os amigos se aproximando de Mayara. Estava tudo escuro e eles mal podiam ver a sua frente, quando a luz da lanterna de Lucas iluminou o lugar.
- Caralho! Quatro tiros e um machadinho mano! – gritou Lock extravasando a adrenalina em lágrimas, abraçando o amigo que ainda sentia uma torrente de ódio invadindo-o após tudo aquilo.
- Man, não fui eu que atirei. – respondeu Lucas ainda em estado de choque. Daniel apontou a lanterna pros amigos e questionou:
- Então quem foi?!
    Eles se entreolharam e apontaram juntos as lanternas para o homem que tentou violentar Mayara. Naquele instante todos sentiram o coração disparar quando se depararam com a imagem do homem preso à parede de perfil, com algo cravando-o no concreto. Aproximaram-se e viram um pé de cabra vermelho transpassando o seu crânio e prendendo-o firmemente. Todos ficaram imóveis quando uma nova figura adentrou a loja de conveniências. Caminhando passou por eles que boquiabertos viram quando aquele novo personagem vestido com um agasalho preto com touca, com um lenço tapando o rosto, pôs um pé com coturno sobre a cabeça do agressor agarrou o pé de cabra pelo gancho e forçou pra que saísse do orifício aberto na parede e no crânio do estuprador, jogando em seguida o corpo inerte no chão.
    Todos ficaram em silêncio enquanto viam aquela cena. O silêncio sepulcral foi cortado pelo som do rádio tocando:
- Na escuta cambada! E a safada? Ta dando gostoso aí? – disse a voz de homem vinda do radio. – Avisa a cadela que tem mais cinco pra ela mamar chegando!
    O grupo ficou apreensivo diante daquilo tudo.
    Mayara cerrou os punhos e secou as lagrimas, caminhou decidida até os corpos próximos da porta, abaixou-se e pegou a espingarda calibre doze, conferiu as balas, engatilhou e olhou pra fora com tanto ódio no olhar que seu rosto ficou irreconhecível.
    Os garotos seguiram seu exemplo e começaram a pegar as armas que estavam em posse dos invasores.
    O Pé de cabra passou rapidamente por eles, sendo observado atentamente por todos. Saiu pela porta da loja de conveniência e parou a alguns metros deles, fez sinal com a mão apontando pra cima, indicando que subiria no teto do posto.
     Naquele momento eles perceberam que o Pé de cabra era bem menor do que todos imaginavam, tinha por volta de um metro e setenta, e carregava nas costas um fuzil com mira a laser. O pé de cabra vermelho ficou preso a uma espécie de coldre que carregava na perna esquerda. Rapidamente sumiu de suas vistas, até perceberem que escalava agilmente em direção ao teto do posto.
     Todos ficaram posicionados atrás das paredes, apagaram todas as lanternas e permaneceram no escuro. Silenciosos eles arrastaram os corpos pro fundo da loja, deixando livre a entrada.
     Lucas ficou ao lado da porta empunhando uma pistola semi automática numa das mãos e o machadinho na outra, Tony e Lock ficaram ao lado de uma janela, eles conseguiram respectivamente uma pistola automática e uma espingarda calibre doze, enquanto que Mayara estava do lado oposto próxima de Daniel, que empunhava duas pistolas automáticas. Seus olhos vidrados no lado de fora do posto não puderam ver, mas seus ouvidos foram invadidos pela mesma voz de antes que soava em tom de comemoração:
 -E aê cambada! Eu quero comê essa gostosinha, e avisa esses muleques que vai sobrar pra eles também! – ao fundo eles ouviram o som das gargalhadas dos outros que vibravam de excitação.
    Todos se entreolharam em meio a escuridão daquela loja de conveniências, invadidos por um sentimento extremo de auto preservação misturado ao asco de terem a integridade de seus corpos ameaçada por pessoas que nem conheciam, que se achavam no direito de estuprar e matar. Nunca haviam olhado-os nos olhos, não sabiam de que cor eram, não sabiam qual sua estatura, mas já tinham sobre eles uma certeza, os odiavam.
    Os interromperam em seu sono.
    Tentaram apagar a faísca de esperança,
    Tocaram Mayara, a garota de meigo sorriso, a única presença feminina do grupo, por acharem que tinham o direito de possuí-la a força, de ferirem sua carne dolorosa e repetidamente. Os odiavam e sabiam que tinham de impedi-los de alcançarem seus objetivos.
    Não haviam mais autoridades, não havia polícia, não havia lei. Somente a lei do mais forte passou a valer. Os predadores adormecidos acordaram dentro daqueles que temiam os limites impostos pela sociedade, agora que a sociedade havia se dissipado e cada um tornou-se responsável por si, muitos deixaram que o mal tomasse conta de suas decisões, e aquele mal batia a porta do pequeno grupo escondido na loja de conveniências do posto abandonado.

Continua...

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Boa noite amiguinhos aventureiros

Amanhã sai o terceiro capitulo da saga Pé de cabra, enquanto ela não sai eu vou postar um vídeo que achei no youtube, curtam aí e aguardem por novidades.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Esse vídeo me emocionou, me fez lembrar do meu grande amigo Favelinha, com um amigo de verdade ao seu lado fica bem mais fácil passar por um apocalipse zumbi.
Boa tarde amiguinhos aventureiros

Segue mais um capitulo da saga zumbisesca Pé de cabra para vosso deleite, introduzindo agora um novo personagem, curtam aí que logo mais tem novidades.
Pé de cabra - Capitulo II

Lâmina cega e enferrujada 

    Mayara acordou com o som da porta se abrindo, a luz fraca do lampião ajudou a perceber o vulto de um homem. Ela falou quase que sussurrando:
-Lucas é você?
    O homem se aproximou em silêncio e naquele momento ela percebeu que não era o companheiro de grupo que se aproximava. Uma luz forte de lanterna ofuscou sua visão, forçando-a a proteger os olhos com as mãos.
-Não delicinha, não tem nenhum Lucas aqui!- ecoou uma voz masculina grave, vindo do homem que acabara de se revelar por ter se aproximado do lampião.
–Mas garanto que faço mais gostoso que o tal de Lucas. – disse ele se aproximando de Mayara que havia sentado no chão abandonando a posição de repouso.
    Ele baixou o corpo próximo dela e com a mão tapou sua boca.
    Ela sentiu um arrepio que misturado ao asco pelo hálito fétido e o cheiro de gasolina das mãos de seu agressor fizeram seu estomago embrulhar.
    Outros cinco homens entraram pela porta com lanternas acesas, os garotos do bando acordaram com os gritos abafados da garota ao perceberem o que acontecia.
-Pérai! Que porra é essa?! Larga a menina ô safado! – protestou Lock, rapidamente ficando de pé e apontando o seu revólver na direção do agressor de Mayara que se debatia no chão enquanto o homem tentava arrancar-lhe as roupas.
-Relaxa aí bonitão! – disse um dos homens que entrou depois, apontando a lanterna pro rosto de Lock, que voltou o olhar em sua direção e percebeu que havia uma espingarda calibre doze apontada pra ele.
- E aí? Cê acha que vale a pena tomar um tiro de doze pela mina aí? – disse o homem branco com macacão cinza, que apontou na direção de Mayara que naquele momento tentava se desvencilhar de seu agressor enquanto gemia e chorava desesperadamente.
– Claro que não vale rapaz, um tiro desses te aleijaria ou coisa pior, não tem hospital e nem SAMU agora, você ia sangrar com seus nacos de carne espalhados pra todo lado, e por quê? Só pra não ouvir a putinha gemer?
   Os gritos de Mayara enchiam o ambiente de uma angustia mortal.
   Os garotos se entreolharam com ódio no olhar.
   Ódio que se tornara tão palpável quanto qualquer coisa naquele ambiente de desespero e desesperança. De trás do balcão a voz de Tony soou colérica:
- Vai tomar no cu seu filho da puta! Ninguém aqui ta vivo por ter medo de morrer, nós sobrevivemos porque colocamos a vida do outro acima da nossa! – gritou ele erguendo-se rapidamente do chão e jogando o facão na direção dos homens na porta. A atitude de Tony deu o tempo suficiente pra Lock acertar na cabeça o homem com a doze e lançar-se ao chão em seguida.
  Vários disparos foram efetuados dentro da loja que só contava com a iluminação do lampião, mas passou a contar com os clarões dos tiros que iluminavam tudo momentaneamente e explodiam nos ouvidos de todos ali. Os homens atiravam com espingardas calibre doze e pistolas automáticas e semi automáticas.
    Enquanto acontecia o tiroteio, o homem sobre Mayara esfregava-se a ela de maneira doentia, tentando de toda forma despi-la. Agarota resistia lutando pra afastá-lo.
    Quando o silêncio tomou conta do lugar novamente.
    As balas de Lock acabaram e ele se arrastou pra trás do balcão de concreto que ficava depois de algumas prateleiras de metal no fundo da loja. Os tiros cessaram quando os invasores perceberam que os garotos não estavam mais revidando.
    Os quatro homens se depararam com o companheiro atingido por Lock no chão, com um buraco no olho direito e uma poça de sangue ao redor da cabeça.
- Esses filhos da puta acertaram o Martins, porra! – gritou um deles se jogando sobre o cadáver do homem caído a sua frente os outros se agitaram e começaram a gritar ameaçadoramente:
- A gente vai foder essa mina e depois vai foder vocês seus filhos da puta! – gritou um deles voltando-se pro balcão, porém foi contido pelo companheiro ao lado que o segurou pelo braço e fez um movimento com a mão pedindo que ele se acalmasse, tirou um radio do bolso que tocava:
- Na escuta! – disse ele trazendo o radio próximo a boca.
- Alguma novidade aí com vocês? Câmbio! - Soou uma voz masculina com o característico som da transmissão via radio.
-Tem uma gostosinha e mais uns moleques aqui, eles ofereceram resistência e até apagaram o Martins! Câmbio! – disse ele fazendo uma pausa e parando pra olhar a garota que se debatia sob seu companheiro de grupo que tentava tirar suas roupas a todo custo.
- Desgraçados! – praguejou a voz vinda do rádio. – Pode começar a festa com essa vadia e avisa ela que tem mais gente chegando, e segura esses moleques que a gente vai passar geral quando chegar aí! Câmbio!
    Aquelas palavras, junto do choro e os gemidos de Mayara invadiram cada um dos garotos como uma lâmina cega e enferrujada, dilacerando suas carnes, rasgando suas esperanças e trazendo consigo a infecção de todo aquele mal que se espalhara pelo mundo.
    O choro desesperado da garota se intensificou quando o homem baixou as calças e esfregou seu membro rígido em sua barriga.
- Guarda um pouco dessa vadia pra nós, estamos quase aí! – falou uma outra voz masculina vinda do radio num tom carregado de pura excitação.
- E aí delicia, hoje você vai dar conta de pelo menos uns dez! – Disse o homem que estava em cima de Mayara, as lagrimas da garota turvaram sua visão, carregada de desespero ela gritou com todas as suas forças:
- Vai pro inferno seu maldito!!!


Sete flechas sete balas

   O Sol nascia enquanto o som do motor da Hornet rasgava o silencio da manhã.
    Sentia o vento contra o seu rosto, agitando os cabelos compridos, cacheados e pretos, o Rayban modelo aviador protegia-lhe os olhos, nas costas trazia uma aljava com sete flechas de penas amarelas e vermelhas, usava uma mochila com compartimento pra guardar skates, onde deixava um arco composto preto preso às tiras da mochila.
    Percorria naquele momento a rodovia Castelo Branco. Centenas de carros estavam estacionados pelo caminho, todos cobertos por camadas grossas de poeira.
    Diminuiu a velocidade ao perceber que, próximo a saída que precisaria usar, havia um ônibus tombado bloqueando parte da pista principal.
    Observava os prédios ao redor da rodovia. Cogitava quais as probabilidades de sucesso em encontrar algo que lhe fosse útil por ali, água, comida, pilhas e armas eram prioridade em sua busca, olhou o marcador e viu que ainda estava com bastante gasolina, uma preocupação a menos para aquela manhã.
    Saiu da rodovia e seguiu em direção a fabrica do Café Pelé, passando pela concessionaria da Mitsubishi Motors.
    Parou a moto em frente a guarita, caminhou até ela e percebeu uma movimentação, a porta estava trancada, mas através da pequena janela pode observar aquilo que há muito deixara de ser um homem, movimentando-se freneticamente tentando alcança-lo.
    Circundou a guarita chamando a atenção da criatura para o lado oposto da porta, completou a volta silenciosamente, enquanto soltava o arco das amarras, abriu a porta e se deparou com o segurança tentando lançar-se pra fora pela janela da guarita. Deu alguns passos pra trás e com um rápido assobio chamou a atenção da criatura que voltou-se pra ele. O zumbi caminhou em sua direção com certa dificuldade.
    Ele rapidamente retirou uma flecha da aljava e a posicionou no arco, puxou a corda até o seu limite, seus olhos encontraram os do zumbi que por sua vez receberam a flecha bem no meio deles, transpassando o seu crânio, ele tombou pesadamente pra trás com a flecha fincada na cabeça. O arqueiro caminhou até o cadáver, pisou em sua boca e puxou a flecha, arrancando-a com certa dificuldade do orifício em que se encontrava.
-Putz a ponta ficou! - reclamou ele em tom baixo, enquanto examinava a flecha, limpou ela na roupa do segurança e a pôs de volta na aljava. O zumbi usava o uniforme de uma empresa de segurança. Usava um cinto em que estava preso um coldre com uma pistola nove milímetros. Ele começou a soltar o cinto da criatura.
- Eu não costumo fazer isso no primeiro encontro.- disse ele enquanto retirava o cinto da criatura enquanto deixava a arma no chão. Ergueu-se e retirou do coldre a pistola, tirou o cartucho e percebeu que ainda haviam sete balas.
-Sete flechas, sete balas.- disse sorrindo enquanto voltava o olhar novamente para o zumbi, e percebeu que havia um colete a prova de balas protegendo-lhe o corpo.
-Agora que já estamos íntimos, você não vai se importar de me ceder o seu colete, vai? - perguntou ele enquanto punha o zumbi sentado e retirava dele o colete.
-Relaxa que eu vou dar uma higienizada nisso aqui antes de usar. - disse ele enquanto colocava a mochila com o arco no chão, colocava o cinto com o coldre em sua própria cintura e vestia o colete. Depois de vesti-lo, ele deu dois tapinhas pra tirar a poeira da peça e sorriu dizendo:
-Lavagem a seco, ta higienizado!
Ele se distraiu por um instante achando graça dos próprios comentários, colocou a aljava nas costas e em seguida a mochila, ajeitou a pistola no coldre e olhou em volta quando foi tirado de sua tranquilidade por um grito de criança:
-Sai daqui! Não encosta em mim!

Continua...

domingo, 21 de junho de 2015

Pé de cabra

Capitulo I Faísca de esperança



     O Sol do meio dia já não era o mesmo, naqueles dias que não eram mais os mesmos, pensava Mayara enquanto passava a mão no cabelo channel preto, que desenhava tão delicadamente seu rosto de menina de dezesseis anos.
    Sua pele clara contrastava com os cabelos escuros, que por sua vez destacavam ainda mais o azul de seus olhos. Seus dedos passeavam calmamente pelos fios, gostavam do tocar, do afago e do carinho, sensações e sentimentos, que aos poucos foram perdendo o seu significado dentro do contexto atual.
    A garota refletia sobre tais fatos enquanto via a apreensão do companheiro de bando que observava atentamente o alvo da próxima empreitada do grupo, invadir o posto que parecia abandonado.
    O céu nublado condizia com o clima tenso dos últimos tempos, cada vez mais daquelas coisas e menos pessoas. Viver tinha se tornado um tenebroso filme de terror em que todos eles se viam obrigados a atuar.
    Estavam na mata há algum tempo, já não tinham mais água e a comida estava prestes a acabar. Preferiam manter distancia das estradas pra evitar hordas que estivessem de passagem.
    Mayara respirou profundamente sentindo a garganta seca, apoiou a delicada mão sobre o ombro forte de Lucas, que com o binóculo procurava se inteirar do que acontecia no posto.
-E aí? Perguntou ela franzindo a testa.
-Pelo jeito ta vazio, mas daqui não dá pra dizer se vai ter alguma coisa útil pra gente.-respondeu ele sem desviar o olhar.
-A gente tem de ir ver man, já não dá mais pra ficar no mato, tamo sem água e de comida quase zerados.- disse Daniel se aproximando.
    Daniel era branco, media por volta de um metro e oitenta, vestia calça jeans azul, um agasalho de moletom com touca que naquele momento cobria-lhe a cabeça, e calçava All Star preto, carregava nas costas uma mochila quase vazia não fossem alguns pacotes de bolacha água e sal pela metade. Nas mãos carregava uma trava de carros do tipo que prende o volante e o freio do veículo, basicamente uma barra de ferro redonda com duas extremidades de ganchos que media pouco mais de um metro.
-Eu sei man, a gente só precisa ter cuidado pra evitar surpresas. - respondeu Lucas baixando o binóculo e direcionando o olhar pra eles – Bóra então?
       Mayara aquiesceu com a cabeça enquanto seus olhos grandes como os de uma criança fitavam o posto de gasolina. Sorriu com os lábios delicados enquanto ajeitava a jaqueta de couro, preparando-se pro deslocamento até o posto. Ela está com uma calça jeans preta e coturnos pretos que lhe subiam pelos calcanhares, ela carregava uma mochila rosa com duas garrafas vazias, um alicate pra fios de cabo vermelho, nas mãos trazia uma pá de jardinagem de cabo amarelo que tinha por volta de um metro de comprimento.
-Cadê o Lock?- perguntou Lucas.
-To aqui mano, tava dando uma urinada ali atrás. – disse o menino de pele cor de chocolate e cabelos crespos, saindo do meio do mato e juntando-se ao outros, ele usava um agasalho de moletom verde com touca que lhe cobria a cabeça naquele momento, uma camiseta do Master of puppets do Metallica, calça jeans azul e All Star preto, nas costas uma mochila do governo do estado de São Paulo azul, com meio pacote de pão de forma e dois pacotes de salgadinhos fechados, no bolso do agasalho um revólver calibre trinta e oito com quatro balas no tambor, no cinto ele havia improvisado um coldre pra um martelo de cabo preto que usava pra golpear.
-E o Tony? – perguntou Daniel.
-Quem você acha que sacudiu pra mim? – respondeu Lock em tom jocoso, olhando o amigo que se aproximava, ajeitando o que ainda restava na mochila.
- Eu posso ouvir isso e meu coração continua aberto. – respondeu Tony acertando os óculos fundo de garrafa, Tony vestia uma blusa de moletom azul, calça de tactel preta com uma listra branca na lateral e calçava um par de tênis brancos pra ginástica, carregava na cintura preso ao cinto um facão dentro de uma bainha de couro – Esse é o posto? – perguntou ele, aproximando-se dos demais e pedindo o binóculo.
Lucas passou o binóculo e confirmou com a cabeça.
-Algum sinal de encrenca? – perguntou Tony enquanto recebia das mãos de Lucas o objeto.
-Até agora nada. – respondeu Lucas.
Tony olhou através do binóculo e não encontrou nada que pudesse impedi-los de seguirem em frente.
-Bóra então pô! – disse Lucas tomando a frente, ele usava calça jeans azul, jaqueta de couro preta e All Star preto, carregava uma mochila preta com um canivete, um estilete, duas latas de legumes em conserva e uma lata de sardinhas, nas mãos um machadinho e num coldre preso ao cinto uma pistola sete meia cinco com silenciador e cinco balas.
    Os cinco caminharam atravessando a rua silenciosamente, apertaram o passo conforme se aproximavam do posto.
    A chance de encontrarem água, comida e um lugar seco pra passarem a noite era animadora.
    Uma fina garoa começou a cair, e eles correram o máximo que puderam pra se protegerem da chuva sob a cobertura do posto, chegando próximo das bombas de combustível, já sentiram o alívio de terem sobre si um teto, ainda que fosse apenas a cobertura de um posto de gasolina.
    Silenciosos, permaneceram juntos, todos com suas armas brancas em mãos, enquanto que Lucas e Lock permaneceram com as armas de fogo em uma das mãos e o respectivo machado e martelo na outra. Se aproximaram da loja de conveniência do posto, que tinha portas de vidro que estavam intactas.
    Daniel se aproximou empunhando a trava vermelha, a luz do dia permitia olhar dentro do local, porém de maneira muito precária, Tony se aproximou enquanto tirava da mochila uma lanterna, que usou pra iluminar o caminho enquanto Daniel abria a porta que não ofereceu resistência, Daniel deu um passo pra trás e bateu na parede com a trava emitindo um som metálico, todos bateram no chão com o que havia em suas mãos, o som era uma forma de atrair possíveis ameaças, um gemido rouco cortou o silencio seguido por outros dois gemidos mais agudos e estridentes, o som dos corpos em avançado estado de decomposição arrastando os pés pelo chão podia ser ouvido.
    O garoto com a trava vermelha e Tony ficaram na frente, Lucas e Lock logo atrás, Mayara ficou depois deles empunhando a pá de jardinagem.
    A luz da lanterna revelou três das criaturas, aproximando-se vagarosamente.
    Um homem e duas mulheres.
    O homem vestia um macacão de frentista, tinha a pele parda em avançado estado de decomposição, deixando aparentes os ossos da face, logo atrás duas mulheres sem os lábios e com muitos cortes pelos rostos, a ausência de lábios conferia a elas um tenebroso sorriso permanente, elas trajavam agasalhos de tactel azul que pareciam ser de alguma instituição de ensino.
    Daniel esperou que o homem viesse em sua direção, com um golpe rápido nas pernas da criatura derrubou-a no chão, enquanto Tony fincou o facão na cabeça que acabara de chocar-se com o concreto, cessando os movimentos do monstro.
-Um zumbi a menos! – falou Daniel cheio de excitação.
    Lucas e Lock avançaram rapidamente derrubando os outros dois com golpes precisos e golpeando-os diversas vezes nas cabeças quando caiam.
    Os três zumbis jaziam inertes no chão quando Mayara pegou a lanterna com Tony e caminhou pra dentro da loja, voltou-se pra eles com um sorriso nos lábios:
-Vocês tão parecendo o pé de cabra heim? Esses três aqui não arrumaram nada!
-O pé de cabra pica das galáxias! – sorriu Lucas de volta, referindo-se ao personagem que segundo os boatos havia salvado vários sobreviventes de um grupo que eles tinham encontrado tempos atrás.
 -Acha que é verdade man? – perguntou Lock enquanto arrastava um dos corpos pros fundos do posto. – O tal Pé de cabra com seus dois metros de altura, passando uma horda de zumbis sozinho, só usando um pé de cabra?
-Não duvido de mais nada nessa vida man. – respondeu Lucas puxando as outras duas pelos calcanhares, enquanto Tony e Daniel davam cobertura pra Mayara que adentrava a loja de conveniências em busca de suprimentos.
   Próximo a parede havia uma geladeira com algumas garrafas de água mineral intactas, mais umas latas de refrigerante, Tony se aproximou e guardou duas garrafas na mochila, enquanto Mayara abria uma lata de coca com um sorriso tão largo quanto o de uma criança esperando pelo presente de natal, num único gole ela tomou a metade da lata e comemorou em seguida com um sonoro arroto, arrancando risos de Daniel que havia encontrado uma caixa de barras de cereais próximas ao balcão.
-Isso não são modos de uma dama May! – protestou Tony, desaprovando a conduta da única garota do bando.
-Cala a boca Tonho, só to curtindo uma coca, vai saber quando vou ter outra oportunidade dessas.
    Lock passou pela porta e foi direto pro balcão, abriu um sorriso largo quando achou cigarros, já não estava mais aguentando a vontade.
-Vamo vê o que vai me matar primeiro, os zumbis ou essas belezinhas aqui. – disse enquanto abria um maço, sacava e acendia um cigarro.
-Nossa! Fazia tempo! – festejou ele enquanto saboreava os espólios de sua vitória.
    Lucas chegou em seguida e fechou as portas atrás de si.
-E ai tudo limpo? – perguntou ele.
-Tranqüilo man. – respondeu Daniel tirando o capuz da blusa e sentando-se encostado na parede enquanto se deliciava com as barras de cereais. – Chega aí mano, vamo preprará o banquete! – disse convidando Lucas e sinalizando para os outros se juntarem a eles.
    Todos se aproximaram procurando um lugar pra se aconchegarem e foram trazendo tudo o que haviam encontrado, eles conseguiram salgadinhos, refrigerantes, barras de cereais e bolachas recheadas, fora as coisas que já traziam consigo, antes de comer separaram a maior parte para os dias seguintes, pois se haviam aprendido algo com os últimos meses é que comida não podia ser desperdiçada em hipótese alguma.
    Todos comeram e curtiram a faísca de esperança que se acendia dentro de cada um deles, lá fora a chuva ficou mais forte e uma vez mais se sentiram sortudos por terem encontrado aquele lugar seco e quente pra ficarem.
    A tarde passou e a noite começava fria e chuvosa.
    Lock havia encontrado duas lanternas e um lampião que agora iluminava o interior da loja de conveniência, dando aquele ambiente abandonado um ar mais aconchegante.
-E aí galera, hora das histórias de terror? - disse Lock apontando a lanterna pro próprio rosto debaixo pra cima.
-É só fazer um resumo dos nossos últimos dias que todo mundo aqui se caga.- respondeu Tony enquanto olhava a chuva lá fora. – Tem horas em que eu torço pra ter sofrido um acidente, ter ficado em coma e acordar todo mijado descobrindo que tudo não passou de um pesadelo.
-Putz, nem me fale! – respondeu Mayara. –Só dispenso o acordar mijada, emendou ela sorrindo.
    Lucas levantou-se e foi em direção a porta, voltou-se pro bando e disse:
-Eu vigio primeiro, é melhor vocês dormirem, todos têm dormido mal, aproveitem que hoje não estamos sem teto.
-Pode crê.- respondeu Lock improvisando a mochila como travesseiro. Depois você me acorda pra eu fazer o próximo turno.
-Demorô.- respondeu Lucas saindo da loja de conveniência e fechando a porta em seguida.

    A chuva permanecia intensa, enquanto ele observava a estrada.
    Procurava se lembrar de como era a vida antes de tudo aquilo, quando suas únicas preocupações durante a noite eram dormir ou escolher o jogo pra rolar no Xbox.
    Sentia falta do conforto do lar, da família que se foi tão abruptamente, os olhos marejaram diante das lembranças de um passado não tão distante que ele sabia, jamais voltaria.
    Caminhou pra fora da cobertura do posto quando percebeu que a chuva diminuiu.
    Estava numa estrada asfaltada próxima da Tapera da Pamonha em Santana de Parnaíba. Lembrava de já ter passado por ali antes, quando ia de moto com o irmão jogar futebol. A vida já não era a mesma e tais lembranças pareciam cada vez mais fazerem parte de histórias que não se repetiriam, perdido em seus pensamentos demorou pra perceber a aproximação de duas das criaturas que caminhavam em sua direção. O gemido rouco de um deles chamou sua atenção, trazendo-o de volta ao terror daqueles dias que pareciam não ter fim.
    Dois homens altos vinham de encontro a ele exalando um cheiro pútrido, como o de animais em avançado estado de decomposição. Ergueu a lanterna e percebeu mais três deles vindo logo atrás, rapidamente a imagem dos amigos adormecidos dentro do posto veio a sua mente.
    Uma forte sensação de que deveria fazer algo pra protegê-los tomou conta dele.
    Sacou sua arma e empunhou seu machadinho com a mão direita, dando prioridade a golpear ao invés de atirar, começou caminhar pra longe do posto, tentando chamar a atenção dos cinco zumbis que naquele momento estavam a pouco mais de dez metros dele.
    Correu um pouco pra ter a chance de separar os mais rápidos dos mais lentos, continuou seguindo pela estrada com a lanterna na boca, com o intuito de ganhar distancia deles, pra combatê-los da maneira mais segura possível.
    Eles permaneceram praticamente juntos, obrigando-o a afastar-se cada vez mais, perdeu a noção do quanto já havia andado, mas percebeu que já estava longe quando não podia mais avistar o posto.
-Não posso ir mais longe e deixar o grupo desprotegido!
    Guardou a arma no coldre e segurou somente a lanterna nas mãos, encaixando no cinto o machadinho, olhou em volta e encontrou um galho de arvore que apanhou rapidamente, o galho era grosso e pesado com mais ou menos um metro de comprimento, ele parou no meio da estrada chamando a atenção do grupo de mortos vivos e com uma jogada perfeita lançou o galho com extrema violência nas pernas de um dos zumbis, fazendo com que ele se desequilibrasse e caísse na frente de outros dois que tropeçaram e também se lançaram ao chão. Aproveitou a deixa e agilmente empunhou o machado golpeando de maneira rápida e eficiente a primeira das criaturas que caiu pesadamente na direção do acostamento, em seguida, voltou-se para o outro que cambaleava a sua frente. Os passos do monstro eram tão imprecisos que o golpe que ele havia mirado em sua cabeça acabou acertando seu pescoço, o zumbi continuou a avançar enquanto que ele tentava arrancar o machado das carnes fétidas da criatura que enlouquecida investia contra ele.
    A luta corporal durou segundos que pareceram eternos, dando tempo aos zumbis que estavam caídos de se erguerem e virem contra ele, que num movimento rápido conseguiu arrancar o machado do monstro e acertar-lhe entre os olhos.
    Viu que os outros estavam muito perto, já podendo sentir o hálito fétido deles.
    Sacou a pistola com o silenciador e explodiu a cabeça do que estava mais próximo a ele. Os dois últimos continuaram a avançar enquanto ele deu dois passos pra trás. Um deles saltou sobre ele agarrando o seu braço esquerdo com o impacto a arma disparou. Enquanto ele tentava se desvencilhar a arma disparou mais uma vez, o tiro raspou na têmpora do zumbi que continuava a atacar ferozmente, Lucas firmou-se nos pés e empurrou os dois com todas as suas forças, lançando-os ao chão.
    Apontou e atirou na cabeça daquele que o atacara explodindo-a, seu corpo inerte prendeu o outro ao chão com seu peso, enquanto recuperava o fôlego.
    Viu ao longe a luz de faróis se aproximando do posto onde estava o seu grupo, contou ao menos dois carros, enquanto sentia um arrepio percorrer-lhe a espinha.
    Os gemidos do zumbi preso ao seu lado só aumentavam sua tensão.
    Sabia que as pessoas ruins se beneficiaram com a ausência de leis, e já tinha ouvido diversas histórias sobre grupos atacados por grupos maiores, as histórias de estupro, de roubo e de chacinas enchiam o seu coração de temor, voltou-se pra criatura inquieta ao seu lado e pisou sua cabeça com toda a força.
-Safados! Acabaram com as minhas balas.- disse enquanto guardava a pistola no coldre e empunhava novamente o seu machado.- Se tudo der errado Deus, mande um dos seus anjos...- orou Lucas enquanto corria na direção do posto.

Continua...

Boa noite amiguinhos aventureiros!!!
Aqui se iniciam as publicações do meu blog!!!
Sou um escritor iniciante (na verdade nunca publiquei algo, mas faz tempo que escrevo) e quero começar a expor meu trampo, trabalho há um tempo em livros sobre anjos e agora me aventuro também na temática zumbizesca, curto muito o lance de trabalhar a ideia de sobreviver num mundo sem leis e cercado por zumbis, gosto de imaginar como seria o comportamento daqueles que conheço diante de uma situação limite dessas. 
Curto tanto essa viagem que comecei a escrever Pé de cabra essa aventura que vai rolar no mundo pós apocalíptico, conta com personagens que são pessoas que existem na vida real, pessoas do meu cotidiano que de alguma forma me inspiraram, postarei um novo capitulo a cada semana da saga dos sobreviventes que terão de passar por muitos perigos e desafios, enquanto lutam pra encontrarem um lugar seguro pra seguirem suas vidas, conto com a sua ajuda pra transformar o sonho de publicar meus trabalhos, e quem sabe um dia você não se torne um dos meus personagens?
Já pensou?
Você vivendo aventuras num mundo onde zumbis existem?
Você tendo de fazer escolhas difíceis?
Tendo de liderar?
Usando armas pra salvar sua vida e a de quem você ama?
Se não pensou ainda, eu pensei e pensei muito sobre isso, leia Pé de cabra e descubra quais caminhos surgiram da mente desse sonhador que agora da mais um passo em direção aos seus sonhos.